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sábado, 23 de abril de 2016

A Garota no Trem - Paula Hawkings


Fonte: Record
AUTOR: Paula Hawkings
EDITORA: Record
ISBN: 9788501104656
LANÇAMENTO: 2015

NÚMERO DE PÁGINAS: 378

Rachel Watson pega todos os dias o trem no mesmo horário, de manhã, na ida pra Londres, então a noite, na volta pra casa. Considerando a miséria da própria vida, uma das distrações de Rachel é fantasiar sobre aquilo que vê pelas janelas do vagão. O trem normalmente pára no sinal em Witney, perto da casa de nº 15, onde vive um belo casal, que Rachel batiza de Jess e Jason. Rachel analisa a relação do casal na varanda da casa, especulando sobre suas vidas – Jess trabalharia com arte, em casa, enquanto Jason, o marido apaixonado, trabalharia fora.
Algumas casas ao lado, no nº 23 da Blenheim Road, está a casa onde Rachel vivia com o ex – a mesma casa onde Tom vive atualmente com a ex-amante, agora esposa, Anna. Apesar de separados há dois anos, Rachel não consegue deixá-lo ir, perseguindo-o sempre que bebe além da conta – o que acontece com frequência –, mas mal se lembrando do que fez no dia seguinte.
Um dia Rachel vê Jess beijando outro homem, e tudo muda. A raiva que sente é quase pessoal: Jess não apenas destruiu sua fantasia, como traiu o marido, da mesma forma que o ex fez com a própria Rachel. Após algumas bebidas, Rachel decide ir até lá – acordando horas mais tarde em seu quarto, sem saber o que aconteceu, com machucados pelo corpo e ligações furiosas do ex-marido. Alguns dias depois, descobre que Jess está desaparecida.
[sinopse por minha conta]
  
O livro é narrado em primeira pessoa sob, inicialmente, duas perspectivas: da própria Rachel e de Megan, a famigerada Jess. A partir de um ponto, entra também Anna – quando você já desgostava dela tanto quanto Rachel.

O ponto-chave do livro, que provavelmente rendeu a comparação a Garota Exemplar, é como nossas vidas podem ser completamente diferentes quando vistas de fora. Cada narradora vê a outra de uma forma: Rachel vê Anna como a amante inescrupulosa, enquanto Anna vê Rachel como a ex-esposa obcecada com o ex-marido. Rachel ainda vê Megan apenas como a boa esposa de Scott, quando, pela perspectiva de Megan, percebemos que sua vida é qualquer coisa menos simples.

O que me prendeu já nas primeiras páginas foi constatar que Rachel, mais do que qualquer personagem que já li, é bastante falha. Autores estabelecem defeitos para que possamos simpatizar com seus personagens; mas tais defeitos são normalmente sobrepostos por qualidades. Rachel, não. Ela se encontra na categoria que apenas a julgaríamos como fraca ou burra: mesmo sabendo que é alcoólatra, não faz qualquer coisa para interromper o vício, sem contar com o apego descontrolado com o ex-marido. É quase devastador a suspeita de que a vida dela provavelmente não tem melhora – e é o que te faz ler um capítulo atrás do outro.

“Tem alguma coisa errada. Por um segundo, sinto como se estivesse caindo, como se a cama tivesse desaparecido debaixo de mim. Ontem. Alguma coisa aconteceu. [...] Aconteceu alguma coisa, e foi uma coisa ruim. Houve uma discussão. Vozes exaltadas. Socos? Não sei, não me lembro. Eu fui ao pub, eu embarquei no trem, eu estava na estação, eu estava na rua. Blenheim Road. Eu fui até a Blenheim Road. Vem até mim como uma onda, um pavor obscuro me sufoca.

Classificado como thrillerA Garota no Trem (esse nome só pode ser outra associação a Garota Exemplar, porque não tem garota nenhuma na história) não tem cenas de perseguições ou grandes descobertas investigativas. Apesar de Rachel bisbilhotar o caso e até se meter na investigação da polícia, ela monta o quebra-cabeça sem dar uma de Sherlock, apenas com a junção de pequenos detalhes. O que é um alívio, sinceramente. O suspense fica a cargo dos lapsos de memória de Rachel e descobrir em qual cagada esta mulher vai se meter no capítulo seguinte. Sem contar com a expectativa de sobriedade: quando ela consegue passar alguns dias sem beber, acontece algo que mal dá pra culpá-la por esconder-se na bebida. Apesar de todas as burradas, é difícil não simpatizar com Rachel. Enxergar os defeitos dos personagens em uma narrativa em primeira pessoa não é simples, mas o apego é mais fácil.

Li bem rapidinho, em tempos de provas. Leitura recomendadíssima.

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